Janela de um comboio

O céu azul limita o meu horizonte
A cegonha voa lá no alto
Na minha frente o desértico monte
Preparo-me para o grande salto

A Lua timidamente desperta
Como um fantasma sombrio
Que no pesadelo nos aperta
E nos deixa sem qualquer brio

Memórias do tempo que passou
Do tempo que não volta mais
Assim como alguém amou
E que partiu para longe deste caís

E a deserta ilha que vejo na minha frente
Não é senão uma ilusão
Assim como o Sol nascente
Depois da eterna escuridão

A imensa água que me rodeia
Transforma-se numa prisão
Assim como a tua forte teia
Aprisionou o meu coração

E a enorme árvore distante
Que serve de bugio
Para que não haja um errante
Que possa cair no rio