O punhal
A noite parece não acabar
O Sol teima em não nascer
As estrelas deixaram de brilhar
A cotovia para sempre morrer...
O rio já não corre no leito
Secou com o Sol ardente
O punhal espetado no meu peito
Deixando-me no chão violentamente
O deserto que se perfila no horizonte
Agreste, triste e desolador
Parado e taciturno no alto deste monte
Limpando as densas lágrimas da dor
A noite toca em mim docemente
Fazendo-me enregelar
Atiras-me ao chão brutalmente
Deixando-me a chorar
Prostrado no gélido chão
Deixando o quente sangue escorrer
Quando já não se ouve o coração
Somos deixados no chão a morrer