E se Bach... fosse uma mulher?
Na noite quente e perfumada
Tenho a Lua por horizonte
Desce uma névoa molhada
Que envolve todo este monte
A névoa começa lentamente a desaparecer
Como os fantasmas no Sol nascente
Duas sombras parecem renascer
Trazidas por uma estrela cadente
Os meus ouvidos ficam hipnotizados
Pela música que começo a escutar
Meus olhos ficam aprisionados
Nas negras sombras ao luar
Fecho os olhos! Sinto-me a voar...
Cada nota tocada deixa um arrepio
Que me alegro de poder recordar
Nos longos e doces momentos de brio
A intensidade da música aumenta bruscamente
Talvez pelo facto de me aproximar
Vou em busca! Vou procurar loucamente
Quem com a música me está a enfeitiçar
Paro... estou a poucos metros desta sereia
Deslumbro-me e volto a ficar deslumbrado
Tantas vezes eu escrevi o teu nome na areia
Que o meu coração já o traz decorado
Estás linda! Deslumbrante e sensual...
Trajas um vestido negro como o carvão
Como ele no Universo não há igual
E fazes mais ainda palpitar o meu coração
O vestido é comprido, rachado do lado direito
Sentada ao piano, tocas alegre e vivamente
Cobres de esplendor e orgulho o meu peito
Por te ver assim grandiosa novamente
Sinto-me envolvido pela magia do momento
Percorro lentamente o piano com o olhar
Oiço em cada nota um sentido lamento
Que de quando em vez faz-me chorar
Acabas de tocar! Ficando de pé ao luar
Abraço-te! Envolvo-te! Fazes-me viver
Minha boca procura... os teus ouvidos para lhes sussurrar
Bach eu jamais vou esquecer...